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O atrevido “Madame X”, novo álbum de Madonna

Foto: Divulgação

CRÍTICA

O atrevido “Madame X”, novo álbum de Madonna

Atrevimento é a marca registrada de Madonna, e em “Madame X” ela prova mais uma vez o peso da coroa de rainha, se reinventando e mostrando um pop miscigenado com vários estilos.

O disco passeia do reggae ao funk, com letras que criticam vários aspectos da sociedade, algumas teclas já batidas por Madonna em tempos atrás.

Sem medo de arriscar, ela se joga impetuosamente em sons experimentais, e transita entre ritmos com alguns erros. Implacável, ela cutuca os problemas da sociedade preconceituosa, e defende minorias, estrategicamente cavando hits necessários em tempos de um mercado cada vez mais exigente, ativista e de sons unificados. As colaborações presente no álbum trazem a veterana aos olhos da geração dos streams, acostumadas com divas cada vez mais teens.

Faixa a faixa:

‘Medellín’ (& Maluma)
Reggaeton moderninho cuja letra diz “Tomei uma pílula e tive um sonho”… Estereotipada, ainda mais com um cantor colombiano na canção. A música é sexy e envolvente, apesar da letra ter alguns trechos equivocados como:  “Nós construímos um cartel só por amor ”,“ 1, 2, cha cha cha”. Bobo e desnecessário. Mas a conta final de Medellín é positiva, e a faixa que abre o disco deixa o convite irrecusável de apreciar a próxima track.

‘Dark Ballet’
A faixa mais experimental do disco, trabalhando o eletrônico e solos de piano. Uma impressão digital da musicalidade de Madonna pode ser vista aqui sem precisar sequer ouvir a voz da cantora. A faixa muda a dinâmica, vai pra uma música européia com voz robotizada. A letra? Essa aponta o dedo para uma sociedade doente, hipócrita e preconceituosa. “Eu posso me vestir como um garoto / Eu posso me vestir como uma garota /Guarde suas lindas palavras / Porque eu não estou preocupada“, diz um trecho. Mais adiante ela canta: “Porque o seu mundo é uma vergonha / Porque o seu mundo é obcecado pela fama”.

‘God Control’
Estamos nos anos 90? Abordando o tema do controle de armas, a música começa ao som de piano e muda para um hino disco. A letra séria contrasta com a animação da faixa. Destaque para o coral infantil e a influência operística.

‘Future’ (feat. Quavo)
Uma faixa que entraria facilmente na tracklist do “Rebel Heart”. Quavo faz participação na canção e ajuda nos versos: “Nem todos estão indo para o futuro / Nem todos estão aprendendo com o passado”, repetido algumas vezes. O reggae foi ousado, mas a música ficou totalmente fora da curva das duas primeiras, e se tornou um elemento chato, ainda mais sucedida pela energia dançante da track anterior.

‘Batuka’
A influência portuguesa aparece na canção, ainda mais com a participação da Orquestra de Batukadeiras de Portugal. A mistura do batuku, ritmo tradicional de Cabo Verde, com música eletrônica e letra digamos “esotérica”. A faixa é digna de clipe e a mais selvagem do disco.

‘Killers Who Are Partying’
Cantando sobre ser aliada das minorias, a diva mistura elementos latinos, com pegada flamenco e um pouco de pop eletrônico. O sotaque pesado traz trechos cantados em português. “O mundo é selvagem / O caminho é solitário”, lamenta ela.

‘Crave’ (com Swae Lee)
Totalmente fora da caixinha do “Madame X”, a música é um R&B totalmente americanizado. Mais um feat. aqui, desta vez com o rapper Swae Lee. Melodia bonita, poucos efeitos na voz. Uma Madonna crua, cantando sobre amor intenso e perigoso. Passou por média.

‘Crazy’
Mais versos em português e uma puxada pro soul. O pop é gostoso e contagiante, com letra de duplo sentido. “Quando me ajoelho não é para rezar”, canta ela.

‘Come Alive’
Mais uma mistura do batuque africano com pegada eletrônica. A faixa é uma irmã de “Batuka”, sem a orquestra, mas com uma valsa e percussão de fundo. Cordas e coral dão a cereja do bolo. Uma das melhores faixas do disco.

‘Extreme Occident’
Mais cordas, mais flamenco e boas doses de drama. A mistura de ritmos aumenta o leque do “Madame X” incluindo uma batida oriental acompanhada de comentários políticos: “Eu fui para a extrema-direita, fui para a extrema-esquerda, tentei recuperar meu centro de gravidade, mas acho que estou perdida“.

‘Faz Gostoso’ (feat. Anitta)
A mais divertida do disco, e um convite sincero para dançar. A parceria com Anitta é um mix de funk carioca com rimos angolanos. Apesar de ser uma regravação do sucesso português cantado originalmente pela Blaya, Madonna conseguiu dar uma pegada única, mesclando sua voz à da brasileira.

Nota 10? Poderia ser, mas uma mistura desnecessária com o samba que ficou com cara de “enche linguiça” é o pecado da canção. Pistas? O hino tá aqui!

‘Bitch I’m Loca’ (feat. Maluma)
Maluma volta para cantar ao lado da diva um reggaeton despretensioso e instigante. ‘Onde você quer que eu coloque isso?”, pergunta ele. Ela responde: “você pode colocar lá dentro”. A música pouco acrescenta, o famoso “nem fede, nem cheira”, mas é boazinha para dançar.

‘I Don’t Search, I Find’
A sonoridade clássica de Madonna está presente aqui. Com seus vocais quase falados, é uma prima de primeiro grau do clássico “Vogue”,e um convite à pista. Cativante, contagiante, instigante, excitante. Excelente!

‘Looking for Mercy’
Sem muitos efeitos na voz, sem muito efeitos de transição. Crua. Um pouco arrastada, poderia ser mais curta… Mas ainda assim o resultado é positivo.

‘I Rise’
Madonna exalta o poder das pessoas jovens e canta sobre vencer dificuldades. O hino fecha com maestria a mescla de ritmos presente no disco, com seu pop tradicional e letra politizada.

 

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